06/04/2007

"Hans, O Cavalo Inteligente", Montemor-o-Novo 2006, Lisboa 2007










Hans é um cavalo, mas não é. O pai de Hans tem um problema psiquiátrico, e convence-se de que Hans é um cavalo muito inteligente. Também convence Hans. Convence, inclusive, uma equipa científica a certificar a inteligência de Hans. A ciência faz os seus exames a Hans e ao pai de Hans. Só uma pessoa não vê em Hans um cavalo: a namorada. Mas Hans não gosta de falar nisso.

Este projecto baseia-se numa história verdadeira, ocorrida no início do séc. XX na Alemanha. O nosso esforço consiste em criar um universo verosímil em que um humano passa por um cavalo durante pouco mais de uma hora. A fusão em cena da imagem video com a imagem real será o recurso chave para a criação de um ambiente denso em que ilusão e realidade se confundem.
“Hans, o cavalo inteligente” aborda o tema da dependência entre as pessoas, da relação entre um pai austero e dominante, e um filho subserviente. Alguém que delega noutra pessoa o poder de conduzir e de arquitectar o seu real, sem pôr em causa essa relação.
Este projecto tem a sua raiz conceptual no furor tecnológico da viragem de século XIX, no auge da revolução industrial. Uma época marcada por inventos e geringonças, do motor de explosão e das máquinas voadoras, de Freud e de Zola, do positivismo, de Darwin e de Poe, que foi também uma época de experimentação fervilhante em torno do registo e reprodução da imagem em movimento, uma aventura que culminou na invenção do cinema.
Nunca como então, a ciência se democratizou, ao ponto dos grandes avanços tecnológicos terem saído das garagens e barracões dos inventores e mecânicos, em vez dos laboratórios das universidades.

Em 1904, e no contexto da investigação sobre os limites da comunicação, um cavalo causou grande excitação junto da comunidade científica europeia por resolver problemas matemáticos de alguma complexidade.
Apaixonados pela descoberta, e na perspectiva de terem aberto a porta da comunicação com o reino animal, várias equipas de especialistas estudaram o cavalo à exaustão, para orgulho do seu criador.
De facto, o cavalo mostrava capacidades extraordinárias. Com a pata, respondia às questões que lhe faziam em alemão. E acertava.
Mais tarde, veio a descobrir-se que Hans apenas se esforçava por agradar a quem lhe punha a questão: a sua sensibilidade (comum a outros animais, de resto) permitia-lhe captar a informação não verbal dos humanos sem que estes se apercebessem da estar a emitir, e batendo com a pata no chão dava a resposta que detectava nos humanos.

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